10Caminhos

No primeiro

Caminhei pelo barro. Sem saber ainda quem eu era.

No segundo

Caminhei pelos sertões. Descobrindo auríferas jazidas.

No terceiro

Caminhei pelas terras artonianas. Tentando vencer a Tormenta.

No quarto

Caminhei pelo frio. Descobrindo quem eu deveria ser.

No quinto

Caminhei pelos paralelepípedos. Me enriquecendo com Magia.

No sexto

Caminhei pela trilha de um herói. Narrando os percalços de sua história.

No sétimo

Caminhei por uma selva de pedra. Perdido sem mais saber quem eu era

No oitavo

Caminhei pelas terras de Ni-Merin. Seguindo os rastros do Plano do Desafiador.

No nono

Caminhei pelas areias molhadas. Ouvindo o vento e o mar a namorar.

No décimo

Caminho pela Estrada Imperial. Buscando reencontrar um certo herói.

Tudo Acaba

E algumas vezes, eu me pego pensando nela.

Sentindo aquela injustificada saudade das coisas que eu e ela não chegamos a viver.

De tudo que planejamos juntos, antes de nos separarmos.

De todas as continuações, antes de sabermos que éramos um ponto final.

Algumas vezes, meio que chego a desejar reencontrá-la.

Imagino como seria.

Será que quando eu olhasse nos olhos dela ela me encararia ou só me ignoraria.

Será que ela gostaria de conversar, de saber como as coisas continuaram pra mim e de contar como continuaram para ela?

Ou será que os sentimentos falariam mais alto e ela brigaria comigo?

Ou ainda, talvez ela simplesmente me ignorasse deixando claro o que somos agora.

O que somos eu e ela.

Nada.

Nada.

É tão estranho isso de deixar de ser.

E tão comum ao mesmo tempo.

Afinal, tudo acaba.

 

 

O Claustro

Não era um cômodo muito amplo. A bem da verdade era quase completamente o oposto de amplo. Se houvessem mais itens dentro dele, estaria completamente atulhado. Havia uma cadeira desconfortável, uma mesa com alguns livros e um catre forrado com algumas colchas num canto, sobre o catre, a uns 60 centímetros de altura havia uma plataforma de madeira sem nada em cima. Uma mesinha de canto com um odre de água completava a mobília.

O cômodo era retangular, feito de toras de madeira, não desbastadas nem aplainadas. Haviam cinco janelas, a saber: duas do lado oposto à mesa, uma na parede atrás desta, um metro e meio ao lado da plataforma sobre o catre, a última na parede oposta a essa estava 30 centímetros ao lado da porta.

Seis acessos ao exterior. Ou quase.

Todas as janelas, e a porta, eram feitas com uma grossa prancha de madeira grosseiramente aplainada. E todas estava fortemente trancadas.

Quem, ou o quê, estivesse ali dentro não sairia, nem deveria sofrer interferências do que havia lá fora.

E assim deveria ser.

Com relação aos livros sobre a mesa. Estes não eram portais para outros mundos. Ao menos não para outros mundos que valesse a pena querer ir.

O tomo mais grosso, com mais que o dobro de páginas de qualquer outro livro na mesa, trazia na capa a inscrição Vade Mecum, algo como “me acompanhe” em uma língua ancestral.

Os outros livros encapavam as palavras: Manual do Direito Administrativo, Constituição Federal, Direito Previdenciário Esquematizado, Gramática para Concursos, Informática para Concursos, Raciocínio Lógico Matemático, Regime Jurídico Único, Manual de Ética do Servidor Público Federal, Técnico do Seguro Social e Questões para Concursos Públicos.

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Super-Exposição: Perdido

Tão perdido que não consegue nem encontrar as palavras para escrever o texto.

Meia Hora Depois:

Eu já fui alguém com sonhos, sabe. Sonhos de verdade! (hãn?)

Eu tinha metas de vida. Ou algo tão próximo a isso que não vale a pena diferenciar.

Mas tudo foi ficando para trás.

Por motivos variados, eu fui deixando de lado cada uma daquelas coisas que poderiam vir a me definir.

Dizem por aí que “quem se define se limita”. Mas, o que não dizem, é que se não nos delimitarmos perdemos o foco e nos espalhamos assimetricamente para além de onde deveriam estar nossos contornos.

Pensa num litro de água, por exemplo. Se você o limita a um copo, uma garrafa, um recipiente qualquer, o litro de água terá utilidade, poderá ser usado para realizar coisas, matar a sede, regar as plantas. Mas se vertemos o litro de água em qualquer superfície que não o limite, mas também não o torne útil, por exemplo o chão de um pátio, a água, não limitada, se espalhará inconsequentemente para os lados, todos eles, sem foco algum, só se desacumulando do ponto de vertimento, se espalhando até ser apenas um fina camada de água: amórfica, inútil, frágil e irrecuperável.

Nos deslimites, expandimos mais facilmente, mas como somos todos submetidos às leis da física, quando você tenta fazer um material expandir além dos seus limites básicos, você força aquele material a ser afinado, fragilizado. Pensa num bastão (?) de massa de modelar. Ele tem um volume e uma forma. Essa forma é, obviamente, modelável. Podemos amassá-lo numa bola compacta e de aparência volumosa, ou rolá-lo nas mãos de modo que ele vá se tornando uma longa “cobra” fina se expandindo além dos limites que o bastão demonstrava, ficando mais e mais fina até que não aguenta a tensão e rompe. Frágil.

Não impondo ou respeitando limites, nós nos fragilizamos, perdemos a forma, rompemos, pedaços se perdem, algumas vezes de forma irrecuperável.

Mas eu não estou aqui pra falar de limites. Não diretamente, mas é como diz o título, eu estou perdido. E cá estou me perdendo no tema e na postagem.

Voltemos.

Eu já fui alguém com sonhos.

Coisas que eu queria realizar.

Coisas que deixei pelo caminho.

Provavelmente com a intenção de reavê-las depois.

Mas nunca voltei para buscá-las.

Ou pior.

Até voltei, mas além de não encontrá-las.

Eu ainda me perdi também.

Eu não sei onde foi parar o cara que eu deveria ter sido.

Eu não sei nem onde foi parar o cara que eu fui.

Sou acusado, e admito a culpa, de ser muito apegado ao passado.

Mas o que posso fazer se diante de tanta possibilidade pra futuro eu acabei perdendo o presente?

Me volto pro passado, quase desejando que ele volte.

Mas não é o passado que eu quero que volte, não é uma ou outra relação que tenha tido, não é uma vida sem se preocupar com ter que ter um emprego, um meio de manter-me na vida independente de auxílio de outrem. Não quero reviver o que já vivi.

O que eu quero de volta é o eu do passado. Aquele eu que quando falava dos planos não só acreditava como fazia os outros acreditarem. Todos os que o conheciam sabiam que ele seria grande.

Não foi.

Ao invés disso, deixou-se ficar, e seguir adiante sem si mesmo de companhia. Seguir adiante aliás, só temporalmente, porque não se pode parar o tempo, porque em sua realidade nada seguiu, nem foi adiante.

O livro que escrevi, e que me rendeu a conclusão do curso, que na época faltavam só alguns acréscimos e alterações para estar num nível publicável, foi deixado de lado desavergonhadamente.

O outro que vertia de meus dedos em formato semi-folhetinesco neste mesmo blog se mantém inacabado, com um fim, mas sem um caminho certo para alcançá-lo e quem sabe ser publicado um dia.

A pós-graduação que eu ansiei, e ensaiei, fazer. Foi pro buraco (quase-literalmente). Mas essa desistência foi previdente, visto que apenas antecipei-me ao cancelamento do programa ocorrido no mesmo ano que conclui o curso.

Uma pós-graduação alternativa? Imaginada, mas nunca pensada de verdade.

Na demora (que até hoje perdura) de uma pós ou mestrado na área de comunicação na minha antiga universidade, arrisquei o que havia, mas se o pouco conhecimento de base na área das Ciências Sociais não me detiveram, fui barrado pela falta do famigerado QI.

Espalhei currículos nos veículos de mídia da região cacaueira e me entoquei no Mamoã.

Não sabia bem o que fazer.

Não fiz nada.

Caiu-me ao colo, com ajuda do QI, a oportunidade de praticar a formação. Escrevi para três edições da revista Folha da Praia, numa modalidade de freelancer.

Mas de mim para mim, continuava me perdendo.

Então surgiu uma oportunidade de ouro.

Eu enfim poderia levar toda essa história para um outro nível. Um nível muito mais elevado.

É óbvio que a história que me refiro é a minha própria história.

Mudando-me para a maior cidade da América Latina eu estaria apto a realizar grandes coisas.

Eu ainda não fazia ideia de quanto eu estava perdido. Então tive esperança.

Depois de currículos espalhados incansavelmente. Na área.

Cursos preparatórios para concursos gerais.

E mais currículos espalhados e enviados. Em qualquer área.

Eu percebi que havia realmente levado a história para outro nível.

Um pior.

Cego em tiroteio volta a ver e começa a atirar.

Se comparado com o quanto eu estou perdido.

Não sei mais o que sou. Não sei mais quem sou. Não sei mais o que quero. Não sei mais o que sinto.

Tudo se confunde.

E minha bússola gira incessantemente tentando encontrar um norte que não está lá fora.

Não é um pólo magnético.

Eu estou perdido.

Precisando me encontrar.

E tudo que eu preciso está aqui dentro de mim.

Mas tá uma bagunça tão grande.

E contínua.

Que fica cada vez mais difícil achar.

Uma História de Liberdade (parte 4)

Continuando a história de Thiana Gabril em busca de sua própria identidade e da liberdade para escolhê-la.

Desde que fugiu do Castelo de Ladânia, feudo do Duque Arhen Gabril, pai de Thiana, a jovem herdeira viveu algumas histórias, tendo percorrido enormes distâncias, e conhecido as mais diversas pessoas. Ela esteve em bailes encantados no meio da floresta, na corte de uma fada nobre, num país de selvagens pintados de verde, e num navio atacado por piratas bárbaros.

E Enfim chegou a Nársia, continente gelado do norte de Ni-Merin, terra natal de sua mãe, a Duquesa Érina Ferradrin Gabril.

Tudo isso acompanhada de sua fiel companheira, a ninfe Lalat.

O que acontecerá com as duas jovens aventureiras no continente gelado?

Descubra agora!

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Uma História de Liberdade (parte 3)

Continuando em sua jornada em busca da liberdade, a jovem herdeira do Duque da Ladânia, Thiana Gabril, adota o nome Cecile e juntamente com sua amiga Lalat, parte rumo a novos ares buscando, além da liberdade, o autoconhecimento. Conquistando a vida que por direito de nascença lhe pertence, mas da sobre a qual haviam lhe privado o direito de tomar decisões. Em seu caminho de revelações, ela passou uma temporada na mística corte da Condessa Námara, e agora, junto a sua inseparável amiga, ela parte rumo a outro continente para que conhecendo suas raízes seja ainda mais apta a entender e conhecer a si mesma e conquistar sua verdadeira liberdade.

Para ler as partes anteriores acessem a página do mundo de Ni-Merin (clique aqui) e busquem na relação de histórias, no fim da página.

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Uma História de Liberdade (parte 2)

Após fugir de casa, para escapar de uma vida que não queria para si, a jovem Thiana Gabril acabou se perdendo em plena noite em meio a uma floresta desconhecida. Ali foi milagrosamente resgatada por uma estranha garota de olhos dourados, esta mesma garota a levou para uma esplendorosa festa no meio da floresta, o Grandioso Baile da Condessa Námara. No baile, as duas amigas ficam mais próximas e vivem desventuras juvenis. No final do Grandioso Baile elas são surpreendidas pelo convite da própria Condessa Námara para acompanhar a Corte durante um ano inteiro.

Para saber mais, veja Uma História de Liberdade (parte 1)

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Uma História de Liberdade (parte 1)

Esta é uma história sobre uma jovem garota que se sente presa a uma realidade da qual não gosta e na qual não quer se manter. Então ela resolve fugir daquilo que foi levada a acreditar ser o seu mundo, para poder descobrir o verdadeiro e imenso mundo que há além das paredes e muros dentro dos quais sempre vivera. Essa é a história de uma garota em busca de liberdade.

AVISO: Antes que siga adiante, quero deixar claro que existe um motivo pelo qual eu nunca escrevi uma história com uma protagonista feminina. Não, não foi o machismo (ao menos não diretamente), mas foi o receio de acabar sendo machista por não saber exatamente como desenvolver uma personagem mulher. Mas já tem uns dias que venho pensando numa história com uma protagonista feminina, então me arrisquei a escrevê-la. Como se a me avisar de que talvez não seja uma boa ideia, o destino travou meu computador e bugou o arquivo do texto, seis páginas escritas simplesmente exterminadas. Mas, teimoso que sou, puxei da memória o que me lembrei, e fiz uma nova versão, a desenvolvi mais do que já havia feito, e percebi que não daria para ser uma história de uma postagem só. É uma história que cresce por si só. E que eu espero tenha conseguido manter em um nível digno, e principalmente que eu consiga manter esse mesmo nível no subsequente desenvolvimento dela. Espero que gostem, e que perdoem por qualquer pisada na bola. Broncas e reclamações serão lidas e levadas em consideração para uma futura melhora. Apreciem:

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A Capa do Livro

Olá, bom dia (boa tarde e boa noite), meu nome é Gustavo Moreira e eu sou um Bookaholic.

Dizem as más línguas que o primeiro passo para a recuperação é admitir o problema, né?

Mas… E quando não há problema a admitir. Eu sou um viciado em livros, em tê-los e em lê-los.

Pois é. Acho, tenho quase certeza, que existem vícios piores por aí. Então não vejo problema em ser um Bookaholic.

E a bem da verdade não vim falar exatamente de meu vício em livros nesta postagem.

Vim falar sobre livros. Mais especificamente sobre as capas deles. Ou quase isso.

A sabedoria popular berra aos oito ventos que não devemos julgar os livros por suas capas.

Mas vá lá. Você entra numa biblioteca, passeia pelas prateleiras, e como você decide pegar um livro?

Obviamente não estou falando de quem entrou na biblioteca procurando por um livro específico, mas apenas de quem gosta de livros e entrou uma livraria com um interesse geral em livros.

O que chama a atenção de qualquer pessoa para um livro é a sua capa.

Seja pela imagem ou pelo título. É a capa que chamará a sua atenção.

Não estou querendo desmerecer a importância do conteúdo. Óbvio que o conteúdo é mais importante que a capa do livro.

É o conteúdo que fará você se apegar a um livro, é o conteúdo que te fará perder horas e horas com um livro. É pura e simplesmente o conteúdo que te levará a querer mergulhar mais e mais no universo do livro. Te fará pensar no livro a todo o momento, principalmente quando não estiver com ele e estiver desejando estar com ele novamente em mãos, para conhecê-lo do início ao fim. E quando o conteúdo é realmente bom você não cansará de reler o mesmo livro vezes sem conta de todas as formas possíveis para conhecê-lo completa e plenamente. É o conteúdo que faz tudo isso. Óbvio. É o conteúdo que importa.

Mas, não é o conteúdo que te faz se interessar pelo livro. Nunca é. É a capa.

Se a capa não for atraente. Você não vai se interessar pelo livro.

Então, no final das contas, julgamos sim o livro pela capa.

Há, é claro, grandes chances de que ao julgarmos e escolhermos um livro por sua capa, nos decepcionemos com o conteúdo.

Quando isso acontece, deixamos o livro de lado, ou o passamos adiante. Muitas vezes lendo-o apenas pela obrigação de o ter adquirido, e nos forçando a chegar logo ao fim para poder deixá-lo de lado e nunca mais precisar abrir ou vê-lo novamente.

Ou seja, é realmente o conteúdo que importa.

Mas ainda assim julgamos o livro pela capa.

Ainda assim escolhemos o livro pela capa.

Ainda assim compramos o livro pela capa.

E levamos o livro pra casa pela capa.

Se a capa não for boa um bom livro não será considerado interessante nem atraente e não conquistará o lugar que seu conteúdo deveria alcançar.

Então, no fim, a capa do livro acaba tendo muita importância.

Eu sou Gustavo Moreira, sou um Bookaholic.

Mas não estou falando apenas em livros.